domingo, 2 de agosto de 2009

"Hope is the thing with feathers"



"Hope is the thing with feathers"
Imagem do meu amigo Jha (o meu wonderful friend), por mim requisitada e mediante inspiração sobre o poema de Emily Dickinson.


"Hope is the thing with feathers
That perches in the soul,
And sings the tune without the words,
And never stops at all,


And sweetest in the gale is heard;
And sore must be the storm
That could abash the little bird
That kept so many warm.


I've heard it in the chilliest land
And on the strangest sea;
Yet, never, in extremity,
It asked a crumb of me."


Emiliy Dickinson


A mirror for the soul (is you)


I don't think you could grasp
the meaning of the words
"I love you"
were they ever uttered by me.


I don't think you could ever reach
the meaning of the words
"I'll miss you"
were they ever uttered by me.


And by never saying
"Thank you"
I tell you what I know
that by our watching of the stars,
you are closer to them than any of us.


My words could never speak louder
(than myself)
when I say


that something in me
tells me
that something in me
is by you read and re-read
and explained
when no words are ever uttered.


For my wonderful friend; travelling or standing still; wherever Fate may find us.


quarta-feira, 29 de julho de 2009

Super-ficial


Just who am i supposed to be now?


Don’t ask me
Don’t expect too much
Don’t expect too little
Don’t expect Me


i realize (maybe too
late)


there are no mirrors in this House.


segunda-feira, 27 de julho de 2009

Redemption Song



Cause all you ever had... Redemption songs...


terça-feira, 21 de julho de 2009

A estrada


Se me vejo na estrada, nem me acredito...
Se me vejo ao caminho, não me contenho
e grito bem alto!
de pânico...
E vou
pelos caminhos da vida
que são a morte
do artista.


(ou se calhar é ao contrário...)



Foto tirada por mim no caminho de volta de Setúbal.


"When it’s missing then you want it more
It isn’t right
Turning, turning out the door
And back to this
Leave it like it was before
And let me out
Must’ve been the end of the story


Giving it all, giving it all away
You’re gonna wake up someone
Well study it all
The wings, the crowd, your face
You’re gonna end up like one


Well, trouble at home
Travel the way you say
“The road don’t like me”
Travel away
Travel it all away
“The road’s gonna end on me”


Men, they like me
‘Cause I’m a warrior, a warrior
Stand on my feet
Dance the warrior, the warrior
Where would I be?
I’d be a warrior, a warrior


Now the strangers have caught on
And they’re riding in the backseat
The river’s gonna wash all
Yeah the river it spoke to me
It told me I’m small
And I swallowed it down
If I make it at all
I'll make you want me"


"Warrior" by the Yeah Yeah Yeahs


segunda-feira, 20 de julho de 2009

OqueStrada



Gostaria de vos apresentar, meus caríssimos amigos e colegas blogueiros, a música que passa todos os dias no meu emprego (o 2ª melhor emprego do mundo).
Imaginem uma loja cheia de brinquedos. Já está? Agora imaginem que têm de saber brincar com eles para depois explicar aos miúdos como se faz... Imaginem... :D


E entretanto, como música de fundo, temos umas banda portuguesa chamada OqueStrada. Uma homenagem ao fado português feito por uma banda de Almada com influências africanas que inclui músicas como "O Fado dos Subúrbios", "O Rap das Rotundas" e uma versão do "Killing Me Softly"; pelo meio, palavras em francês que apelam às almas Almadenses e expressões tão portuguesas como "vai buscar!" e "Tá-se bem, tá-se bem, do lado do cu do Cristo do Rei!" vão sendo atiradas como confetis para o meio da festa que é o disco "Tasca Beat".


Fica aqui a minha favorita, "Oxalá Te Veja". Como eles próprios, dizem:
"Ladies and gentlemen, mes dames et messiers, o segredo mais bem guardado de Portugal"


quinta-feira, 16 de julho de 2009

Working Class Hero (again...)


I am now a Working Class Hero! Again...


Que é como quem diz, arranjei o belo do emprego veraneio!
Vamos lá ver como e que isto corre... dizem que é como andar de bicicleta, que não se esquece (muito menos quando se precisa). Mas eu acho que ainda estou um bocadinho enferrujada...


Depois comunico notícias!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

I am no lamb of god


“Jesus died for somebody’s sins but not mine” by Patti Smith


I am no lamb of god!
I am no child of the Sun…


Every second of my life is a near-death experience;
I alone tread along the line of
Existence
Non-existence
Past-existence.


Knowing that
with every breath I take
I may not live
to see another day.


I am no lamb of god!
I am no child of the Sun…


I am not suicidal;
I am Death’s closest friend
and I am Immortal!


Hoje caí na banheira; duas vezes. E é a terceira no espaço de duas semanas. Há dias, caiu-me um pente no pé; fiquei com 3 buracos num dedo.
Se calhar sou muito azarada, se calhar sou muito sortuda. Se calhar sou imortal.
De qualquer maneira, às vezes tenho a sensação que a minha vida é um episódio do "Twillight Zone"...

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Some Other Universe


"If I could start again
A million miles away
I would keep myself
I would find a way"


"Hurt" by Johnny Cash [link]


"Dirty Mirrors" em memória fotográfica [link]

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Clássicos do cinema explicados ao comum dos comedores de pipocas


O Padrinho: Estava Don Corleone sentado por trás da sua secretária, com duas bolas de algodão enfiadas na boca porque tinha acabado de vir do dentista, afagando o seu gatinho predilecto quando lhe bateu à porta uma moça que lhe disse:
“Don Corleone, scuza… Podemos ir “andiando” que il Henrique stá com fómi?”
Don Corleone virou-se para Fat Clemenza e odernou que fossem buscar um prato com acepipes do banquete do casamento da sua filha. Quando trouxeram o prato com queijo e duas fatias do melhor pão italiano, Henrique protestou:
“Não tem nada assim só com manteiguinha?”
Henrique mal teve tempo de se desviar do gato que lhe foi atirado à cara, fugindo pela porta do escritório.
No dia seguinte, Don Corleone ordenou que pusessem uma cabeça de cavalo besuntada com manteiga na cama de Henrique. Mas Henrique tinha desaparecido misteriosamente do set do filme…


Matrix: Neo acordou em frente ao seu computador sem saber bem se estava dormir ou acordado. No monitor, leu em letras verdes contra um fundo preto:
“Não podemos ir andando? É que o Henrique está com fome…”
Quando mais tarde Neo se encontrava frente a frente com Morpheus, o homem por quem procurou a vida toda, confrontado com a terrível escolha de tomar o comprimido azul ou o comprimido vermelho, Henrique aparece por trás do cadeirão de pele de Morpheus para perguntar:
“Não tens nada assim com manteiguinha?”
E assim, daquele dia em diante, todos os humanos passaram a ser acordados por Morpheus, não com comprimidos que parecem mesmo aquelas gomas que a gente comprava quando éramos putos na loja ao pé da escola preparatória, mas por pãezinhos quentinhos com a manteguinha a derreter…


Terminator: Sarah Connor estava estarrecida. À sua frente, um gigante que parecia saído de uma competição de body-builders austríacos empunhava uma arma e estava prestes a acabar com a vida da pobre Sarah. Ela afastava-se o mais que podia pelo chão, por cima dos estilhaços da montra da Brasileira do Chiado, quando uma moça se aproximou por cima do ombro dela e disse:
“Come with me if you want to live. Mas despacha-te que o Henrique está com fome…”
O T-800, ao reconhecer naquela voz uma ordem de comando, largou a arma e disse:
“I’ll be back… with a sandes de queijo.”
Ao que Henrique replicou:
“Não tem nada assim só com manteiguinha?”
O T-800 pegou numa faca que estava no chão, arrancou o seu próprio escalpe de tecido vivo revelando o seu endoesqueleto e, dois segundos antes de retirar o CPU que o desligaria para sempre, disse:
“Now I know you cry…”
E assim Sarah Connor sobreviveu sem nunca ter conhecido Kyle Reese, sem nunca ter dado à luz o seu filho John e no futuro a resistência humana perdeu a luta contra as máquinas.


Pulp Fiction: Jules estava de pé em frente a Brett apenas com uma mesa a separá-los. Por cima da mesa estavam os restos de hamburger que Brett e Jules tinham partilhado ainda há momentos. De repente, entra na sala uma moça que pergunta directamente a Jules:
“Olhe, não podemos ir andando? É que o Henrique está com fome?”
Jules e Vincent disparam todas as balas da sua arma contra a pobre moça para de repente se aperceberem que ela tinha desaparecido sem deixar rasto.
“Motherfucker!” disse Jules a Vincent “I think that was a motherfuckin miracle!”
Recompostos do tiroteio, Jules e Vincent voltam a concetrar-se em Brett. Jules pergunta:
“You know what they call a quarter-pounder with cheese in France? They call it Royalle with cheese!”
De trás de uma porta ao fundo da cozinha aparece Henrique que pergunta:
“Hum… queijo? Não tem nada assim só com manteiguinha?”
Jules e Vincent não têm tempo de recarregar as suas armas.
Por detrás de Henrique surge um jovem que estava escondido na sala ao fundo da cozinha que começa a disparar contra os dois gangsters, que morrem cobertos por uma incrivelmente desnecessária quantidade de sangue.


Citizen Kane: Charles Foster Kane lançava por fim o seu último suspiro no seu leito de morte. Sem ninguém para o ouvir pronunciar as suas últimas palavras, sozinho que estava no grande quarto de sua enorme mansão, e revelando a idiotice, facilmente perdoável, de um grande realizador chamado Orson Welles; Kane sussurrava:
“Rosebud… Rosebud…”
De repente, assoma ao seu leito, quebrando a sombra do preto e branco artístico, uma moça que, aos olhos de Kane, se afigura como um anjo que o vinha buscar. A moça diz:
“Olhe, não pode ir morrendo mais rápido? É que o Henrique está com fome…”
Kane, muito fraco, nos seus últimos segundos de existência, ainda sussurrou uma vez:
“Queijo… Sandes com queijo…”
Ao deixar a sua cabeça descair, último gesto do gigante milionário, Kane pôde ainda ouvir as palavras que levaria como última memória deste mundo que agora abandonava:
“Não tem nada assim com manteiguinha?”
E assim, a procura do jornalista começou. Através de dezenas de entrevistas, percorrendo toda a vida do grande magnata, o incauto repórter procurou, em vão, saber o significado daquelas simbólicas palavras: “Queijo… Sandes de queijo!”


Star Wars: Luke Skywalker estava finalmente frente a frente com o seu rival, o homem mais temido de toda a galáxia, quando o terrível Darth Vader lhe revela que é seu pai, ao estilo de novela mexicana dobrada em brasileiro que passa na TVI. Quando de repente, aparece por trás de Luke uma moça que lhe diz:
“Não podemos ir andando? É que o Henrique está com fome…”
Luke e Vader param de lutar. Desligam os seus sabres de luz e olham para a moça misteriosa com espanto e um certo desconforto. Luke, como bom Jedi que é, oferece o que tem:
“Se quiser eu peço à minha irmã Leia que faça uma sandes de queijo…”
Darth Vader propõe-se a ir buscar a sandes, aproveitando assim para conhecer a filha cuja existência até há pouco desconhecia. Mas Henrique protestou:
“Não tem nada assim só com manteiguinha?”
Vader sentiu todo o poder do lado negro da força assomar à superfície do seu reluzente capacete. O seu sabre de luz acendeu-se, vermelho como o sangue, pujante como um velho de 80 anos que acabou de tomar Viagra, e desferiu um golpe contra o pescoço de Henrique. Mas Henrique já lá não estava e Vader acertou no pobre Luke, matando o seu próprio filho.
Desde esse dia, as sandes de manteiga foram banidas da cantina da Death Star, o que muito chateou Palpatine que, por já ser velhote, não podia mastigar a comida como os outros Sith mais novitos…


O mito de Sísifo



La trahison des images de René Magritte


As evidências não são interessantes em si mesmas, mas nas consequências que delas é preciso tirar. Conheço outra evidência, que me diz ser o homem mortal. Podem, no entanto, contar-se os espíritos que daí tiram conclusões extremas. Devemos considerar como uma perpétua referência neste ensaio a distância entre aquilo que imaginamos saber e aquilo que realmente sabemos, o consentimento prático e a ignorância simulada que faz com que vivamos com ideias que, se na verdade as sentíssemos, deveriam transformar toda a nossa vida. ante essa contradição inextricável do espírito, compreendemos justamente em cheio o divórcio que nos separa das nossas próprias criações. Enquanto o espírito se cala no mundo imóvel das suas esperanças, tudo se reflecte e se ordena na unidade da sua nostalgia. Mas ao primeiro movimento que faz, esse mundo racha-se e desaba: uma infinidade de estilhaços cintilantes oferecem-se ao conhecimento. Temos de desesperar de reconstruir a superfície familiar e tranquila que nos daria a paz da alma. Depois de tantos séculos de busca, de tantas abdicações entre os pensadores, sabemos bem que isto é verdade para o nosso conhecimento. Excepção feita ao racionalistas de profissão, desesperamos hoje do verdadeiro conhecimento. Se fosse preciso escrever uma única história significativa do pensamento humano, seria necessário fazer a dos seus arrependimentos sucessivos e das suas impotências.
Com efeito, a respeito de quem ou do quê posso eu dizer “Conheço isto!” Este coração, em mim, posso senti-lo e decido que ele existe. Este mundo, posso tocá-lo e decido ainda que ele existe. Aí pára toda a minha ciência, o resto é construção. Porque, se tento alcançar este “eu” de que apodero, se tento defini-lo e resumi-lo, ele não é mais do que água a escorrer-me por entre os dedos. Posso desenhar um a todos os rostos que ele sabe tomar, e também o ardor ou os silêncios, a grandeza ou a baixeza. Mas não se podem adicionar rostos. Mesmo este coração que é o meu ficar-me-á para sempre incompreensível. O fosso entre a certeza que tenho da minha existência e o conteúdo que tento dar a essa certeza, nunca estará cheio. Serei para sempre estranho a mim mesmo. Tanto na psicologia como na lógica, há verdades mas não há a verdade. O “conhece-te a ti próprio” de Sócrates tem tanto valor como o “sê virtuoso” dos nossos confessionários. São jogos estéreis sobre grandes problemas. Só são legítimos na medida exacta em que são aproximativos.
Eis umas árvores e eu conheço-lhe a rugosidade, eis a água e eu conheço-lhe o sabor. Estes perfumes de erva e de estrelas, a noite, certas tardes em que o coração se dilata, como negar esse mundo cujo poder e cujas forças experimento? No entanto, toda a ciência desta terra não me dará nada que possa certificar-me de que este mundo é meu. As pessoas descrevem-mo e ensinam-me a classificá-lo. Enumeram as suas leis e eu, na minha sede de saber, consinto em que elas sejam autênticas. Demonstram o seu mecanismo e a minha esperança aumenta. Por fim, ensinam-me que este universo prestigioso e matizado se reduz ao átomo e que o próprio átomo se reduz ao electrão. Tudo isto é bom e espero que continuem. Mas falam-me de um invisível sistema planetário onde os electrões gravitam em redor de um núcleo. Explicam-me este mundo com uma imagem. Reconheço então que os homens se embrenham pela poesia: jamais “conhecerei” nada disso. Terei sequer tempo de me indignar? Já mudaram de teoria. Assim, essa ciência que devia ensinar-me tudo, acaba na hipótese, essa lucidez cai na metáfora, essa incerteza resolve-se em obra de arte. Que precisão tinha eu de fazer tantos esforços? As linhas suaves dessas colinas e a mão da tarde no meu coração agitado, ensinam-me muito mais. Volto ao princípio. Compreendo que, se posso apreender os fenómenos pela ciência e enumerá-los, não posso apreender da mesma maneira o mundo. Ainda que lhe acompanhasse com o dedo todos os relevos, não ficaria mais adiantado. E dão-me então a escolher entra uma discrição que é certa, mas que nada me diz, e as hipóteses que pretendem ensinar-me mas que não são certas. Estranho a mim próprio e a esse mundo, unicamente armado de um pensamento que se nega a si próprio logo que se afirma, que condição é essa em que em só posso ter paz recusando-me a saber e a viver, em que o apetite de conquista vai de encontro a paredes que desafiam os seus assaltos? Querer é suscitar paradoxos.


Possuo agora algumas evidências de que não me posso afastar. O que sei, o que +e certo, o que não posso negar, o que não posso rejeitar, eis o que conta. Posso negar tudo dessa parte de mim que vive de nostalgias incertas, salvo esse desejo de unidade, esse apetite de resolver, essa exigência de clareza e de coesão. Posso refutar tudo neste mundo que me rodeia, choca ou me arrebata, excepto este caos, este acaso-rei e esta equivalência divina que nasce da anarquia. Não sei se este mundo tem um sentido que o ultrapassa. Mas sei que não conheço tal sentido e que de momento me é impossível conhecê-lo. Que significa para mim um significado fora da minha convicção? Só posso compreender em termos humanos. O que toco, o que me resiste, eis o que compreendo. E ainda sei que não posso conciliar estas duas certezas, o meu apetite de absoluto e de unidade e a irredutibilidade deste mundo a um princípio racional e razoável. Que outra verdade posso reconhecer sem mentir, sem fazer intervir uma esperança que não tenho e nada significa nos limites da minha condição?
Se eu fosse árvore entre as árvores, gato entre os animais, esta vida teria um sentido, ou melhor, esse problema é que não o teria, porque eu faria parte deste mundo. Seria este mundo ao qual agora me oponho com toda a minha consciência e toda a minha exigência de familiaridade. Esta razão irrisória é que me opõe a toda a criação. Não posso negá-la com um risco da minha pena. O que julgo verdadeiro, devo mantê-lo. O que me parece tão evidente, mesmo contra mim, devo sustentá-lo. E que faz o fundo deste conflito, desta fractura entre mim e o mundo e o meu espírito, senão a consciência que dele tenho? Tal conflito, se eu quero portanto mantê-lo, é por uma consciência perpétua, sempre renovada, sempre tensa. Eis o que, neste momento, tenho de fixar.
E nesse preciso momento, o absurdo, ao mesmo tempo tão evidente e tão difícil de conquistar, entra de novo na vida de um homem e reencontra a sua pátria. Ainda nesse momento, o espírito pode abandonar a estrada árida e ressequida do esforço lúcido, que agora desemboca na vida quotidiana. Encontra o mundo do sujeito indeterminado, mas mesmo aí o homem entra doravante com a sua revolta e a sua clarividência. Desaprendeu a esperança. Este inferno do presente é enfim o seu reino. Todos os problemas recobram a sua agudeza. A evidência abstracta retira-se ante o lirismo das formas e das cores. Os conflitos espirituais encarnam-se e encontram o abrigo miserável e magnífico do coração do homem. Nenhum foi resolvido. Mas todos são transfigurados. Vamos morrer, escapar por meio do orgulho, reconstituir uma casa de ideias e de formas à nossa medida? Vamos, pelo contrário, sustentar a aposta dilacerante e maravilhosa do absurdo? Façamos um último esforço a esse respeito e tiremos todas as nossas consequências. O corpo, a ternura, a criação, a acção, a nobreza humana, retomarão então o seu lugar neste mundo insensato. O homem nele encontrará enfim o vinho do absurdo e o pão da indiferença de que a sua grandeza se alimenta.


Os deuses tinham condenado Sísifo a empurrar sem descanso um rochedo até ao cume de uma montanha, de onde a pedra caía de novo, em consequência do seu peso. Tinham pensado, com alguma razão, que não há castigo mais terrível do que o trabalho inútil e sem esperança.
No termo desse longo esforço, medido pelo espaço sem céu e pelo tempo sem profundidade, a finalidade está atingida. Sísifo vê então a pedra resvalar em poucos instantes para esse mundo inferior de onde será preciso trazê-la de novo para os cimos. E desce outra vez à planície. É durante este regresso, esta pausa, que Sísifo me interessa.
Se este mito é trágico é porque o herói é consciente. Onde estaria, com efeito, a sua torura, se a cada passoa esperança de conseguir o ajudasse?
A clarividência que devia fazer o seu tormento consome ao mesmo tempo a sua vitória. Não há destino que não se transcenda pelo desprezo.
Se a descida se faz assim, em certos dias, na dor, pode também também fazer-se na alegria.
Deixo Sísifo no sopé da montanha. Encontraremos sempre o nosso fardo. Mas Sísifo ensina a felicidade superior que nega os deuses e levanta os rochedos. Ele também julga que tudo está bem. Este universo enfim sem dono não lhe parece estéril nem fútil. Cada grão dessa pedra, cada estilhaço mineral dessa montanha cheia de noite, forma por si só um mundo. A próprialuta para atingir os píncaros basta para encher o coração de homem. É preciso imaginar Sísifo feliz.


Excertos de "O Mito de Sísifo" de Albert Camus

domingo, 5 de julho de 2009

And so the hours are now behind me


I know that I shall meet my fate
Somewhere among the clouds above;
Those that I fight I do not hate,
Those that I guard I do not love;
(...)
I balanced all, brought all to mind,
The years to come seemed waste of breath,
A waste of breath the years behind
In balance with this life, this death.


W. B. Yeats

sábado, 4 de julho de 2009

Os Dias do Fado


Hoje decidi ouvir Fado enquanto estudava Projecto Europeu. Não sei, considero uma espécie de protesto contra aquilo que acho mal no projecto em si (e vocês sabem que eu não sou nacionalista).
Pego nos CD's da mamã (com muita pena minha, a agulha do giro-discos está estragada) e venha de lá o faduncho para contrastar com a União Europeia e as questões de soberania! Encontrei uma frase genial, num poema genial que vou escrever em baixo, com a frase sublinhada e tudo.


O Camus diz(ia) que o homem absurdo não tem esperanças, mas tenho mesmo que perguntar: será que é desta que eu vou partir?


"Partir é Morrer um Pouco"

"Adeus parceiros das farras

Dos copos e das noitadas

Adeus sombras da cidade

Adeus langor das guitarras

Canto de esperanças frustradas

Alvorada de saudade.


Meu coração como louco

Quer desgarrar-me do meu peito

Transforma em soluço a voz

Partir é morrer um pouco

A alma de certo jeito

A expirar dentro de nós.


Voam mágoas em pedaços

Como aves que se não cansam

Ilusões esparsas no ar.

Partir é estender os braços

Aos sonhos que não se alcançam

Cujo destino é ficar.


Deixo a minh’alma no cais

De longe canto sinais

Feitos de pranto a correr.

Quem morre não sofre mais

Mas quem parte é dor demais

É bem pior que morrer!"



Relativity


In some other world, some other town
Someone is fast asleep by now.
On some other time, not even today
I bet there’s someone with something to say.
People are moving around and about
Wise old men are teaching young sprouts.
Standing still or lying in bed
I see the whole world turning over my head.


The trouble it is, the longer I stay
The closer I am to things far away.
So I look again down the darkened pit
And stare at the abyss that draws me to it.
Knowing is feeling that when I’m not there
It’s the cruel abyss that starts to stare.
The answer that lies in the question itself
Is what I use to lie to myself.


"A obra absurda não dá resposta." Albert Camus em "O Mito de Sísifo"

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Acontecimentos Divinos Explicados ao Comum dos Mortais


"Nós somos eruditos porque chateamos as pessoas por erosão", disse o meu amigo Paulo.


Exemplifiquemos:


Exemplo 1: Ao primeiro dia, Deus criou o mundo e daí até o sétimo criou mais umas quantas coisas, sendo que ao sétimos "achou bom" e então pôde descansar. Passava já das 12h do oitavo dia quando Deus foi acordado do seu Divino Descanso por uma voz feminina que se aproximou sorrateiramente da divindade. Deitado na relva, com o sol a bater-lhe na cara, a moça provocou tal sombra que Deus foi obrigado a dar-lhe atenção. Foi então que a rapariga pronunciou as palavras que ficariam registadas como históricas para a civilização humana:
"Olhe, não podemos ir andando? É que o Henrique 'tá com Fome..."
E assim, Deus criou a sandes de queijo. Descontente, Henrique questionou a criação divina:
"Não tem nada assim só com manteiguinha?"
E assim, Deus criou o riso.


Exemplo 2: Estava Moisés caminhando pelo deserto quando, ao fim de 23 dias e 22 noites e meia, mais ou menos pela tardinha, dependendo do fuso horário, lhe aparece uma moça que lhe diz:
"Olhe, não podemos ir andando? É que o Henrique 'tá com fome..."
Cuidando que era uma mensagem do Senhor, Moisés ajoelhou-se na areia escaldante e forneceu o resto do seu humilde saco de mantimentos ao profeta Henrique, que não poderia ficar com fome. No fundo do saco, Henrique encontrou uma sandes de queijo:
"Não tem nada assim só com manteiguinha?"
Moisés lançou um insulto e continuou o seu caminho.


Exemplo 3: Estavam Jesus e os Apóstolos reunidos para jantar, numa pequena estalagem em Belém, quando de repente se lhe assoma por cima do ombro direito a cara redonda de uma moça que lhe diz:
"Olhe, não podemos ficar mais um bocadinho? É que o Henrique está com fome..."
Os Apóstolos protestaram:
"Jesus, estamos com as horas contadas... olha os Romanos, que ainda aparecem por aí para te apanhar..."
Jesus não ligou aos seus fiéis seguidores e, pegando num pedaço de pão, distribuiu por todos os seus companheiros, incluindo o estranho Henrique. Este, protestou:
"Não tem nada assim só com manteiguinha?"
Jesus chamou o estalajadeiro que o informou que manteiga seria muito difícil de arranjar naquela hora. Mas Jesus decidiu esperar. Por essa razão, os soldados romanos tiveram tanta facilidade em encontrá-lo: um deles, à paisana, tinha vindo do Continente com uma embalagem de manteiga, foi interpelado pelo estalajadeiro que lhe segredou que tinha em sua casa o Messias, e o Romano contactou a central pelo rádio do seu jeep a chamar reforços.


Exemplo 4: Estava Pilatos pronto a ordenar a sentença de Jesus perante a populaça de Jerusalém, quando se lhe apareceu um mensageiro com uma missiva de uma moça que dizia:
"Olhe, não podemos ir andando? É que o Henrique 'tá com fome..."
Pilatos, que não é de rejeitar um bom manjar, mandou chamar Henrique que lhe disse:
"Mas só se for uma coisa assim só com manteiguinha..."
Pilatos adorava manteiga. Interrompeu a sentença, e como asseadinho que era antes de qualquer refeição, declarou, sem saber que o microfone ainda estava ligado:
"Lavo daqui as minhas mãos"
E assim Jesus foi condenado pela populaça.


Exemplo 5: Estava Jesus subindo a Via do Calvário, que na altura se chamava Rua do Gato Matias, em direcção o Monte das Oliveiras, que na altura tinha uma banca de laranjas em segunda mão, quando se lhe surge na multidão o mesmo rosto da moça da estalagem, que dizia:
"Olhe, não podemos ir andando? É que o Henrique 'tá com fome..."
Jesus saltou as barreiras de metal que o protegiam da populaça, cerrou e punho e estava prestes a bater na moça quando os soldados Romanos o apanharam, dizendo:
"Ai 'tás armado em arruaceiro? Agora p'ra castigo, vais levar a cruz as costas, uma coroa de espinhos na cabeça. E se protestas, tenho aqui uns chicotes pra distribuir pela malta!"
E assim, Jesus sofreu pelos pecados da humanidade, enquanto ouvia no meio da multidão a voz de Henrique que dizia à moça:
"Ele não tinha nada? Nem mesmo assim só com manteiguinha?"


Conclusão:


"Esta até merece uma salva e não é de palmas!"
"Então é de quê, de prata?"


E nunca digam que eu não tenho os melhores amigos do mundo...

Martin - Chapter II


The Consult


“You know, most of the times, I have the feeling I am nothing but a ghost”


“Yes Martin, I know” said the doctor impatiently “You do start almost every consult by saying that.”


Martin shrugged and looked away from the doctor’s inquisitive eye pretending to be shy at the fact that he was boring, repetitive and inconvenient most of the times. He didn’t really care. After all, he did feel like he was a ghost. And as a ghost, he felt like he was invisible and inconsequent to most people around him.
He took the time to take another one long “sightseeing”, as he used to call it, around the office, looking at every detail of the doctor’s office. He knew it all very well by now after 5 years of going in for consults with his mother’s friend and psychologist Dr. Monroe. Dr. Cybil Monroe, as stated her diploma, finished her degree and PhD at a famous university (that shall remain unnamed for the moment of this story) and proudly presented her credits on the wall of her office. And the office was so simple and refined that it contained only an elegant desk, an elegant office chair for the doctor and two cozy chairs for patients. No file archive and definitely no flowers, vases, paintings or framed pictures. There was only a picture on the wall, from about 10 years ago, of her shaking hands with the Mayor at the occasion of the opening of the City’s Hospital psychological ward, commonly known as the South Building. Martin didn’t know, although he asked several times, how come such a young doctor in her twenties got to be a part of the inauguration team of such a prestigious ward. Martin didn’t really care if she never answered because Martin wouldn’t go as far as caring about the underlying reasons of people’s answers to his inconvenient questions. Martin’s curiosity allowed him to ask the most inconvenient questions but truth be told, he never really cared much for the real answers. He would rather try do decipher the underlying truth using the awkwardness of people’s answers.


“Maybe if you didn’t sneak up on people like you usually do, Martin; maybe then you wouldn’t look that much like a ghost…


Martin! Are you listening? Will stop wandering, please? Sit down.”


“Yes Dr. Monroe. I am here”


And he was. Martin’s mind didn’t wander. He was always paying attention to something or someone, always concentrated and focused, never wandering.


“You know that’s not exactly what I mean, Dr. Monroe. My condition certainly doesn’t help, but in life I do get the feeling that I am nothing but a big white transparent blur that goes around the world virtually unnoticed.”
“You and I both know Martin that those are just words. Big words, actually, that you use to justify the fact the you took advantage of your condition to become unnoticed when you want to remain unnoticed and to become… well, the word would be inconvenient but let’s just say pressing and outspoken when you want to sneak up on people, either physically or into their minds and lives.”


Martin smiled. He would have said “guilty as charged” but he wasn’t one to use common catchphrases.


“Yes doctor, we both know that by now.”
“How are you dealing with the fact that your father is now at home every day?”
Martin shrugged and looked away again, as if dismissing the importance of the question. Martin learned to shrug and look away every time someone asked him a question or tried to get some insight out of him in order to prevent people from noticing under which circumstances he was really bothered by the question. So, most of the times, it just looked like he didn’t care.
“It’s no big deal, actually. It’s not his fault he’s got his leg broken. Now he’s jut got to stay 2 more months at home. I think it bothers him more than it bothers me.”
Only, by now, Dr. Monroe had learned to notice when Martin was bothered by the question. And she knew how to get a straight answer from him.
“What do you mean? Do you think he’s got trouble dealing with it?”
“No… he’s just bored. For a man who’s used to spend most of his days and some nights working out of the house, suddenly being trapped in it isn’t that much comfortable.”
“Do you get to do stuff together more often?”
Martin smirked:
“No, not really. Most of the times I just stay in my room and he stays in front of the TV. Our conversations are mainly about his guided trips to the bathroom.”
“Maybe if you took this opportunity to talk to him, tell him about your life and…”
Martin had to interrupt her here.
“That’s not an option and you know it. Can we change the subject, please?”
And the god doctor knew when not to insist.
“Yes, Martin. Is there something in particular you want to discuss?”
“I don’t think so… not really…”
The good doctor also knew when Martin was asking for her to insist.
“Come on, Martin. Talk to me.”
“Well… something happened to me the other day. I don’t know if I should find it absolutely normal or look at it like some kind of… blessing, for the lack of a better word.”
“I’m intrigued, Martin! For someone who talks so much of the lethargy of his every day life, you do sound carefully excited!”
“Thank you for the irony, Dr. Monroe. As usually…”
“You’re welcome, Martin! You know me…”


Dr. Monroe and Martin smiled at each other. After 5 years they could afford to have conversations that went beyond the usual and static doctor-patient relationship.


“So… go on!”
“As you know, my mother insists that I either get a job or enroll at a university.”
“And I also know how much you hate that.”
“Well, of course. No one likes to be pressured. Besides, I have a good life doing nothing all day long. And the only reason I finished high-school was because my parents insisted. I myself see no use whatsoever of having a diploma, no offense.”
“None taken. I know you always thought you were too smart for high-school. And your grades did show that. By now, you must think you’re too smart for college too.”
“I know I am. At the young age of 19, Martin Brandt, yours truly, has read more books than most college professors.”


Martin got up and took an unnecessarily pronounced bow, looking at Dr. Monroe with a profound sense of irony and arrogance in his eyes. But he was smiling as he sat down again, so Dr. Monroe laughed with an honestly satisfied expression, adding:


“Yes, Martin, we established that on our second consult when you bragged about reading 2 books by Dostoevsky that week at the lovely age of 12; when you should have been around your neighborhood with a bike or a skate.”
“Ouch! Bull’s-eye, Doctor! Straight to the inexistent childhood! That’s good.”
Martin then changed his voice to a deeper, more confident tone when he asked:
“Did you have a bike or a skate growing up, Cybil?”


Dr. Monroe tried to hide the discomfort that the “typically-Martin” question caused on her yet again with irony.


“Yes, Martin, a pink bike with red ribbons. And later a skate that made me look like a punk rebel and gave me this scar you see on my forehead. And I told you already not to call me Cybil in the office. Go on. What was that blessing of yours?”
“Well… *doctor*! I went to the library yesterday (nothing new about that) and… they actually offered me a job.”
“A job? At the library?! How come you never thought of that before? That suits you just fine!”
“I did. I just never applied.”


There was an awkward silence between the two that lasted for a few seconds. Those rare moments of completely honest silence were the thing that made Martin come to these consults with Dr. Monroe. There were always these silences when there was absolutely no need to say anything because they both knew what they were thinking. At this precise moment of silence, both Martin and Dr. Monroe had the privilege of setting a perfect mirror into Martin’s soul, something that could not have been achieved with a simple set of consults, even over such a period of time. Not without the kind of history Martin and Cybil had.
At that moment, the thoughts inside both patient and doctor’s heads consisted of nothing more than this: Martin never really fulfilled anything.


Up(to)date


Hoje é o dia de actualização do blog. Muita coisa para fazer, muita coisa para estudar, impedem-me de o actualizar frequentemente. E provavelmente ninguém se interessa porque quase ninguém o lê.


Para os que se interessam, para os que o lêem e acima de tudo para os meus amigos e colegas Blogueiros, Jha, Xana, Diana e Rui, dedico-vos uma pequena imagem:


quinta-feira, 2 de julho de 2009

Coolest song



I want to marry a lighthouse keeper
And keep him company.
I want to marry a lighthouse keeper
And live by the side of the sea.


I'll polish his lamp by the light of day
So ships at night can find their way.
I want to marry a lighthouse keeper
Won't that be okay?


We'll take walks along the moonlight bay
Maybe find a treasure too.
I'd love living in a light house,
How 'bout you?


The dream of living in a lighthouse baby,
every single day.
The dream of living in a lighthouse,
the white one by the bay.


So if you want to make my dreams come true,
You'll be a lighthouse keeper too.
We could live in a lighthouse
The white one by the bay, hey hey.
Won't that be okay?

sábado, 27 de junho de 2009

Martin


"Blessed are the hearts that bend; they can never be broken." Albert Camus


Maria came in the waiting room of the 3rd floor of the South Building (as it was written in the indication she got from the yellow pages) as if she were an astronaut going for her first encounter of an odd species from another planet. She found her self in a plain white room, with a nice lady at a desk, a coffee table at the center of the room and some 10 red fabric chairs around the coffee table. She was told to sit and wait because she was ahead of her consult and there were more people to see the doctor.


“It’s all right. I will wait.”


Maria sat at the chair that was farthest from the coffee table and closest to the corner of the big white walls, hoping to be far from everyone else. Besides the nice lady behind the desk, Maria could see, sitting there as she was two more people: a middle aged lady, with an incredibly excessive amount of make-up on her face and cleavage; and a young boy that must have been around Maria’s own age. The first thing Maria noticed about the boy was the fact that he was oddly pale. Maria didn’t have much time to notice with more detail how amazingly white the boy’s skin was because from across the coffee table, the boy simply smiled at her. With such genuine nicety that Maria couldn’t resist smiling back, shyly and then diverting her eyes to look at the wall on her left.


You could say Maria had some sort of shortened attention span because as soon as she looked at the wall, she gorgot all about the oddly white boy as her eye was immediately caught by the colors of the framed painting on the wall, not exactly because it was a good painting but because it looked like the artist was trying to use all the colors he had to put together something that lacked the harmony of a proper painting. Bewildered as she was at the bad quality of the painting, Maria did not notice that the boy was now sitting right next to her.


“Awful, isn’t it?”


Maria woke up with a tremor from the almost psychedelic trance induced by the terrible colorful painting and looked to her right to find the boy’s pale face only inches away from hers.


“It’s like he bought all the cans of paint in the store, right?”


Maria couldn’t help but laugh at this boy’s commentary. And as the boy smiled back at her, as if appreciating the honesty of her laughter, Maria decided that no harm could come of talking to this nice boy.


“Well, he is definitely no Rembrandt…”
“Oh no, he’s not. And no Picasso either!
I am Martin, by the way”
“Hello, Martin! I’m Maria. Nice to meet you”
“Nice meeting you too, Maria. I’m afraid I have to go now.”


Maria was slightly puzzled at the calm and mysterious tone the boy printed to his last words as Martin got up from his chair and started walking back to his seat. Then Maria noticed there was someone else in the room now. A blonde 30-something year old doctor was talking to the nice lady at the front desk and the door to her office was now wide open. Maria had never been to this office before so she tried to look into the office trying to get a glimpse of what was to happen when she went in. Suddenly the red shirt of the oddly pale boy Martin got between her eyes and the door. Maria noticed the doctor was calling him for his consult.


“Martin, you can come in now.”


They stayed at the door for a few seconds as the doctor asked Martin how he was doing.


“And how is your father, Martin? Getting better?”
“Yes, Dr. Monroe, thank you for asking. He’s keeping himself busy.”
“Yes, I see. You must thank him again for the lovely painting he did for us. It stands really nice on that wall, doesn’t it?”


Martin looked at Maria who quickly looked down at the her tennis shoes, blushing and ashamed as she found out that it was Martin’s father who had painted that psychedelic scenery. Then she looked up at Martin who was trying to hold his laughter and just smiled at her, again with the sincerest nicety, as he said to the doctor going into the office:


“Yes it does. If I didn’t know it was my father’s I would say it belonged to a great master!"


May be continued.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Dream On


"You only live twice
or so it seems;
one life for yourself
and one for your dreams."


Sung by Nancy Sinatra

terça-feira, 23 de junho de 2009

Surrealismos


Um homem de meia-idade pergunta a um jovem de 23 anos:
"Oh João, que profissão queres ter?"
Ao que o jovem responde:
"Não sei."
O homem de meia-idade conclui:
"O meu pai é sapateiro de sapatos brancos há muitos anos e também ainda não sabe o que fazer a vida"


Se quiserem saber o significado deste post perguntem-me a mim que sou uma espécie de deus...

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Pensamento do(s) Dia(s)


"Ah! you do not know that we are never alone! And that everywhere the same weight of the future and the past accompanies us! Those who were killed are with us. And for them, it would still be easier. But those whom we loved, those we did not love but who loved us, the regrets, the desire, the bitterness and the sweetness, the whores and the gang of the gods."


Albert Camus


sábado, 20 de junho de 2009

A Gripe já não é o que era


Teoria estúpida saída da minha cabeça: a gripe A é comunista.


Facto: a gripe A começou no México e espalhou-se pelo resto do mundo através dos turistas que tinham estado de férias no México.


Conclusão: só quem tem dinheiro para ir de férias para Cancún é que apanha a gripe. Se tivessem ido para o Algarve como o Tuga médio, apanhavam uma insolação. Se não andassem a fazer cruzeiros e ficassem em casa com uma ventoinha improvisada e o belo do ice tea, apanhavam uma dorzinha de garganta que passava com Mendocaína.


Gente com dinheiro para férias em Cancún a apanhar uma pandemia em cima... Digam lá se isto não é o sonho molhado de qualquer comunista...

Celebrações atrasadas!



Parabéns a mim pela minha 100ª mensagem neste blog!
Que foi desperdiçada a escrever sobre melgas... that's life!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Batalhas desleais


Vem o Verão, vêm as melgas. Certo e sabido. Começamos a abrir as janelas de casa porque temos calor e mal damos por isso, estamos a ser acordados às 3h da manhã por insectos que fazem um barulhinho tipo zumbido extremamente irritante. Acordamos e vemos que estamos cheios de borbulhas e mordidelas.


Há duas semanas eu cheguei a uma conclusão que me pareceu mui nobre da minha parte: enquanto elas me morderem e não me acordarem com aquele som desconcertante, eu deixo, nem me importo; porque se todos os animais que os humanos precisam de comer para sobreviver tivessem um spray para matar humanos, nós não tínhamos sobrevivido. Façam o exercício comigo de imaginar uma vaca munida de um spray para matar humanos (só porque o exercício dá uma imagem engraçada). Portanto, se as melgas precisam de se alimentar de mim para sobreviver, façam-no. Mas não me acordem durante a refeição, pela amor da santinha!


Entretanto, e porque não consigo dormir durante a noite, decido pegar num livrinho e ir para a cozinha ler. Pego no livro e qual não é o meu espanto quando dou de caras com uma puta dum insecto (perdoem-me a linguagem) rastejante e nojento que agora decidiu habitar os meus livros! Os meus preciosos livros!


Vou à Wikipedia, saber o nome do insecto, saber a melhor arma para os combater. E descubro que essas alminhas de Deus nosso senhor, carinhosamente chamadas por nós humanos 'peixinhos-de-prata', têm uns estimados 300 milhões de anos de existência nesta terra. Ou seja, já cá estavam antes dos humanos e provavelmente vão cá ficar depois de nós morrermos todos. Não me parece que seja uma batalha justa, com todos os nossos sprays e pós e insecticidas... Eles ganham.


Eu não me importo, juro que não. Vocês sabem que eu nem sequer gosto de humanos. E além disso, todos temos lugar nesta terrinha à beira via-láctea plantada, principalmente insectos com TREZENTOS MILHÕES DE ANOS! TREZENTOS! Mas porra! Não me acordem a meio da noite e não me comam os livros, tá bem?! (duvido que os insectos leiam isto, mas adiante; como disse o Orson Welles quando lhe apontaram o enorme plothole de Citizen Kane, "Vamos esquecer que reparámos nisso...").


Conclusão: declaro solenemente uma respeitável guerra aos insectos desta terra que me queiram comer os livros ou que me incomodem com zumbidos. Com todo o respeito, pela idade do inimigo em questão, e pelo seu direito à existência, you're going down, motherfuckers!


segunda-feira, 15 de junho de 2009

Ursos Polares


“A mim parece-me que isto é a mais pura das felicidades…”


A jovem inclinou-se ligeiramente sobre a amurada do cacilheiro no momento em que partilhou estas palavras com os seus amigos, enquanto deixava escapar dos pulmões uma longa baforada de fumo do cigarro. Escutando o som das ondas que iam de encontro ao barco, reparando nas gaivotas que sobrevoavam o rio, a jovem pousou os braços no corrimão ferrugento do pequeno cacilheiro, fazendo rodar o cigarro entre os dedos com um movimento sedutoramente jocoso.


Atrás de si, as vozes dos outros, seus conhecidos de há muitos anos, formavam uma amálgama coerente de experiências passadas e futuras, sonhos e desilusões que, juntos num só, constituíam aquilo a que tão banalmente se chama amizade. De entre todas as vozes, saía às vezes uma gargalhada mais alta, um trocadilho mordaz que se fazia ouvir mais do que o barulho das aves passageiras. Ou, muito simplesmente, emanava em todos eles, figuras indistintas entre si mas profundamente únicas e inigualáveis, o sentimento de camaradagem que tornava todas as vozes igualmente importantes, igualmente sentidas. Eram cinco mas podiam ser seis. Podiam ser vinte, ou cinquenta e quatro. E de certa maneira, até o eram; até eram mais, muitos mais, tantos que nem cabiam no barco, tantos que arrebatavam as duas margens do rio pelas costuras! Cada um diferente mas entre todos o elo comum que os abraçava ternamente: a jovem.


A jovem que agora se endireita, antecipando o brusco embater do barco contra os pneus da margem, lança fora o cigarro e vira-se calmamente para os bancos atrás de si. Ninguém. Nem uma pessoa a acompanha.


O barco atraca. A jovem desce as escadas. Os pés soam apressados à sua volta, cansados; os pés das pessoas que se dirigem para a rampa do barco, no fim de um longo dia de trabalho. E, por fim, a jovem solitária, que se deixa ficar para trás; deixa passar a multidão, distancia-se da confusão de sacos, sacolas, jornais enrolados debaixo dos braços. Já em terra, detém-se por um segundo. Esperando, esperando… e cá estão eles de novo. As vozes suas amigas, seus leais companheiros de aventura.


“Sabes porque é que puseram trampolins no Árctico?” pergunta um deles.
A jovem sorri, atravessa o corredor envidraçado do cais e vira-se com uma genuína curiosidade para o seu amigo para perguntar “Porquê?”


E em tanta solidão, alguns de nós caminham sempre acompanhados.

Epílogo


"Meu coração, não batas, pára!
Meu coração, vai-te deitar!
A nossa dor, bem sei, é amara,
A nossa dor, bem sei, é amara...
Meu coração, vamos sonhar...
Ao mundo vim, mas enganado.
Sinto-me farto de viver:
Vi o que ele era, estou maçado,
Vi o que ele era, estou maçado...
Não batas mais! vamos morrer...
Bati à porta da Ventura
Ninguém m'a abriu, bati em vão:
Vamos a ver se a sepultura,
Vamos a ver se a sepultura
Nos faz o mesmo, coração!
Adeus, Planeta! adeus, ó Lama!
Que a ambos nós vais digerir...
Meu coração, a Velha chama,
Meu coração, a Velha chama...
Basta, por Deus! vamos dormir... "


António Nobre "Epílogo" do Livro "só".
Disponível para download no site da Biblioteca Nacional Digital.


"Ele colocava todas as noites aquela arma em cima da mesa. Terminado o trabalho, arrumava os seus papéis, aproxima o revólver e roçava por ele a testa, as têmporas, fazendo baixar com o frio do aço a temperatura do rosto.
E depois quedava-se assim um longo momento, deixando errar os dedos ao longo do gatilho, manejando o travão, até que o mundo à sua volta parasse e que, já sonolento, todo o seu ser se cncentrasse na única sensação do ferro frio e salgado de que a morte podia sair.
Desde o momento em que não nos matamos, é preciso que nos calemos a respeito da vida. E ao despertar, a boca cheia da saliva já amrga, lambia o cano da arma, nele introduzindo a língua e, rouquejando numa felicidade sem causa, repetia com admiração: "A minha felicidade não tem preço".


Albert Camus - "Cadernos"


"It was me and a gun
And a man on my back
But I've never seen Barbados
So I must get out of this"


Tori Amos "Me And A Gun"


Provavelmente, as coisas mais macabramente bonitas que eu já li e ouvi até hoje...

Mas a mesma Tori Amos canta, anos depois: "I've got music, good friends; I'm not dying today"

So, no. I'm not dying today.

sábado, 13 de junho de 2009

Dúvidas


Apercebo-me agora que todo o problema reside no equilíbrio. Na tentativa de o manter, e ao mesmo tempo, na impossibilidade ou, se calhar, na falta de vontade de o manter. Seja como for, "quem tudo quer, tudo perde".


Até que ponto interessa verdadeiramente à vida a prossecução de um meio termo, da "via do meio"? Se o equilíbrio fosse assim tão precioso, o mundo não seria feito de escolhas contraditórias e incompatíveis de equilibrar.


Torna-se necessário no meu espírito encontrar o equilíbrio entre duas escolhas obviamente incompatíveis:


- o próprio equilíbrio
- o radicalismo das escolhas.


E, no entanto, enquanto que o radicalismo do equilíbrio se me afigura possível ainda que altamente indesejável (pelo simples facto de me não ter sido proveitoso), já o equilíbrio do radicalismo não faz qualquer sentido, como é óbvio.


Torna-se, assim, necessário aprender a escolher.

"As Mãos Sujas"


Não sai. Pegamos no sabão, passamos ligeiramente nas mãos, debaixo da água que escorre da torneira ferrugenta e barulhenta. Ensaboamos, primeiro devagar, com alguma suavidade; depois começamos a imprimir alguma força. Espalhamos cuidadosamente o sabão para que cubra uma área cada vez maior, até aos braços, até aos cotovelos. Agora, com mais força; e depois, com mais força ainda. Esfregamos já, mais rápido; cada vez mais rápido, mais fundo. Na pele, debaixo das unhas; por baixo da pele…


Mas não sai.


Depois vem a água fria; outra vez. Nós sabemos, esperamos por ela, antecipamos o contacto. Mas o arrepio é inevitável; o espasmo, a leve retracção. Não que não seja agradável. É, e por isso logo nos habituamos.
Porque é a água fria que nos tira a espuma das mãos; é o conforto do frio que nos confirma a inutilidade da tentativa de as lavar.


E vemos que não saiu.


Fecha-se torneira. Pega-se na toalha. O frio fica ainda por uns minutos, as mãos secas vão ficando ásperas. Largamos a toalha e depois pensamos noutra coisa qualquer. Porque pensar nisto ou noutra coisa qualquer em exclusividade durante muito tempo, ou tirar disto mais do que a constatação da necessidade de limpeza física de um par de mãos sujas, é uma inutilidade e seria absurdo.


Assim é porque ainda não inventaram um sabonete para a alma…


"As Mãos Sujas" é uma peça da autoria de Jean-Paul Sartre, filósofo e escritor Existencialista.


sexta-feira, 12 de junho de 2009

Até uma merda duma laraja pode ser cortada em metades!


É inútil perguntar de onde nasceu a ideia tão tipicamente humana da dualidade intrínseca dos conceitos. Ou, mais comummente falando, os opostos. Chega a ser parvo começar a pensar quando, em que momento histórico, e onde é que pela primeira vez alguém chegou à conclusão que algo era o contrário doutra coisa. Vamos lá agora nós adivinhar que o primeiro homem consciente que existiu neste mundo se apercebeu que ter frio era o oposto de ter calor e que levar uma traulitada nos cornos era o oposto de um abraço.


É absurdo.
É indiferente.
“É uma folha”, como dizia Camus.


No entanto, acho que não seria grande disparate dizer que a nossa vida é em grande parte composta por essa dualidade de conceitos.
Certo é contrário de errado.
Bom é contrário de mau.
Frio é contrário de quente.
Agradável é contrário de desagradável.
Depois existe o todo que é o contrário do nada e que, se pensarmos bem nesse sentido, pode ser aquilo a que chamamos áreas cinzentas. Se virmos o todo, conseguimos ver as nuances? Mas até isso é parvo questionar.


É absurdo.
É indiferente.
“É uma folha”, como dizia Camus.


E então ficamos com os opostos, até porque na maioria dos casos são simplificadores de acções e sentimentos. Não estaria eu a escrever um post sobre opostos se não fosse mais fácil. Difícil era escrever sobre o nada (ainda estou a tentar) ou escrever sobre tudo (ficava aqui a vida toda). Atrevo-me a dizer que só conhecemos o bom porque sabemos que podia ser melhor ou porque já tivemos pior, ou porque alguém está pior que nós. Só conhecemos o frio porque se vestirmos um casaco ficamos mais quentinhos, ou porque já tivemos calor quando foi verão. Hoje a cabeleireira só ficou espantada quando eu lhe disse que queria o cabelo curto porque eu tinha o cabelo comprido. Básico, certo? Mas inútil, ainda assim.


Absurdo.
Indiferente.
“Uma folha”, como dizia Camus.


Inevitavelmente, somos metades. Metade compostas por esses opostos; ou um ou outro. Metade até do que somos, do que poderíamos ser. Do que fazemos e fizemos, do que poderíamos fazer e do que poderíamos ter feito. Essa merda da dualidade de conceitos obriga-nos muitas vezes a ser uma ou a ser outra. E assim nunca somos o todo. Pior! Assim, nunca seremos o nada. Somos metades que flutuam num mundo cheio de outras metades e mesmo o mundo é demasiado grande. Até esta merda desta laranja em que nos enfiaram é um pontinho absurdo no meio de um universo infinito!


É absurdo.
É indiferente.
“É uma folha”, como dizia Camus.


E os que querem ser nada? Censura-los assim tanto, porquê? É assim tão ilógico querer ser nada num mundo de metades? É assim tão ilógico querer ser nada num mundo de gente que não pode, não consegue, não há-de nunca ser tudo? Se essa dualidade de conceitos serve para simplificar tanta coisa, que sirva para isto: se não posso ser tudo, quero ser nada; se não podes ser tudo, sê nada!


Em suma, e parafraseando, és todo o Nada que existe no mundo.


Olha lá, mas tu enlouqueceste de vez? já ´tas a falar contigo na 2ª pessoa?!

quarta-feira, 10 de junho de 2009

The Absurd


Ando a ler muito - Camus, Nietzsche, Stendhal.


Ando a ouvir muita música, muitos álbuns novos - Placebo, Marylin Manson, Tori Amos, Cat Stevens, Nouvelle Vague, Mélanie Pain - e álbuns antigos - Black Sabbath, Fleetwood Mac, Amália Rodrigues, Patsy Cline - ou não tão antigos - Catatonia.


No meio disto tudo, ando a estudar muito. Acabei de resumir um livro que preciso para um exame que vou ter daqui a 36h.


Não ando a dormir muito, mas não interessa, não me interessa, não me faz falta, para falar verdade.


Ando a recordar muito. Memórias do secundário aparecem-me como flashbacks repentinos, como se se tivessem passado ontem mas, mais importante ainda, como se não tivessem existido 4 anos a separa-las do presente. Como se costuma dizer, 4 years I'll never get back. E da primária, como se sempre lá estivessem mas só agora eu tivesse reparado nelas


Ando a pensar muito... A absorver as coisas que penso.


Parece que tenho mais tempo para isto tudo. Sabe bem.
E tudo isto nos últimos dois dias. O tempo a passar rápido, finalmente, outra vez.


Uma frase que me tem ecoado muito na cabeça: Is this the start of something new?


Deixo-vos com excertos do último álbum dos Placebo.


- Da música "The never-ending why":


"Time will help you through
But it doesn't have the time
To give you all the answers to the never-ending why"


- Da música "Speak in Tongues":


"So please don't let them have their way
Don't fall back into the decay
There is no law we must obey
So please don't let them have their way
And don't give in to yesterday.


We can build a new tomorrow, today"

Necrologia dos Velhinhos de Autocarro


"Já não há respeito pelos mais velhos!" diz uma senhora no autocarro porque ninguém se levanta para lhe dar lugar.


"Já não há é respeito por ninguém, minha senhora!" respondo eu, com cara de poucos amigos.
"Por isso, aguente-se à bronca como os outros, que isto aqui não há desconto para sénior! Não há respeito por ninguém porque ninguém se quer dar ao respeito, ninguém quer ser tratado com respeito! Ninguém quer ser tratado com honra! Ninguém quer lealdade! Ninguém quer justiça! Porque olhe que isso de pedir justiça só para nós não é pedir justiça com igualdade. Por isso, ninguém quer igualdade nenhuma!
Os fortes querem mandar; os fracos querem ser tratados como coitadinhos! E o mundo é dos espertos que não se rebaixam a ninguém, não respeitam os mais fortes nem se preocupam com os mais fracos!


Eu cá acho que o problema todo é que já não há honra em lado nenhum, nem entre os ladrões! Principalmente os da alta finança... Para ver honra, uma pessoa tinha que se meter numa máquina do tempo e ir ao Japão do século XVII!


Deixa de ser idiota, pá! E começa mas é a fazer aos outros o que te fazem a ti. Se ninguém se dá ao respeito, não o dês de borla, que pode fazer-te falta mais tarde. Se ninguém te pede que sejas honrado nem leal, guarda a honra e a lealdade num sítio que eu cá sei... Olha, até lhe podes chamar egoísmo, que sempre ficas mais parecido com os outros, mais integrado e tudo!"


Deixa mas é de ser idiota, pá!


Inspirado pelos posts da Xana:
Dicas Para Quem As Quer Apanhar
De Almada Com Amor


Porque quem falta ao respeito à Xana tem que se haver comigo!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Nietzsche


Um amigo meu disse-me há dias que estava a ler o "Assim Falou Zarathustra" de Friedrich Nietzsche. Fiquei com curiosidade. Já a tenho há uns anos, mas agora ela aguçou-se. Meia de dúzia de frases deste escritor levaram-me a mim e ao meu amigo (que não somos, logo pela nossa própria natureza, muito bons da cabeça) a uma longa conversa de 3h sobre filosofia, política e sociedade. Tudo por causa do Chico... Fiquei curiosa.


Então, fui à estante buscar a minha cópia do Anticristo (1€ na feira das velharias) que também foi escrito pelo senhor com o nome esquisito. Não conheço o suficiente sobre ele, confesso, por isso atirei-me de cabeça e às cegas.
E da mesma maneira, às cegas, vejam lá o que eu tirei:


"Não fiquemos abaixo da medida; nós próprios, nós, espíritos livres, nós somos já uma "transmutação de todos os valores", uma real declaração de guerra e de vitória contra todas as velhas concepções do 'verdadeiro' e do 'falso'. (...) todas as suposições do nosso espírito científico actual, tinham contra si, durante séculos, o mais profundo desprezo: graças a eles, era-se excluído das relações com as 'pessoas de bem'. (...) Tínhamos contra nós todo o pathos da humanidade - a sua concepção daquilo que devia ser a verdade, o serviço da verdade. Cada um dos imperativos 'tu deves' era, até ao presente, dirigido contra nós. Os nossos objectos, o nossa aspecto silencioso, circunspecto, desconfiado - tudo lhes parecia absolutamente indigno e desprezível."


"Para suportar a minha seriedade e a minha paixão é preciso ser íntegro nas coisas de espírito até as últimas consequências; estar acostumado a viver nas montanhas, a ver abaixo de si o mesquinho Charlatanismo actual da política e do egoísmo dos povos; e, finalmente, ter-se tornado indiferente e jamais perguntar se a verdade é útil, se chegará a ser uma fatalidade... Necessária é também uma inclinação para enfrentar questões que hoje ninguém se atreve a elucidar; inclinação para o proibido; predestinação para o labirinto."


Para terminar em grande, do Zarathustra:
"É preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela cintilante."

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Garbage




Cliquem aqui para a página da Wikipedia sobre o Álbum


Como eu tinha dito há uns posts atrás, se há álbum a que eu posso voltar sempre, em qualquer ponto da minha vida e seja qual for o meu estado de espírito na altura, é o primeiro disco dos Garbage.


Eu costumo dizer duas coisas sobre este disco:
1) Se me querem conhecer como pessoa têm que ouvir o cd do princípio ao fim e têm que o compreender. Se conseguirem, então saberão quem eu sou. (Convém acrescentar as músicas #1 Crush, Bleed Like Me, I Think I'm Paranoid, When I Grow Up e It's All Over But The Crying; aí sim, podem dizer que me conhecem de ponta a ponta)
2) É um dos poucos objectos inanimado que nunca me traiu na vida. Está sempre lá e compreende-me sempre que eu falo com ele. É como o ombro de um amigo onde se pode chorar, ou a carteira de um amigo que nos paga um café nos momentos que estamos mais "à rasca".


Nunca me deixou mal. Já passou de CD a Mp3, e se vier uma próxima evolução passará para ela. Só me falta arranjar, se existir, uma versão em Vinil. E, ou muito me engano, ou vai comigo para a campa...


Querem um "wine taster"? Uma pequena prova do que podem esperar? Eu podia escolher o evidente I'm Only Happy When It Rains, mas isso vocês já sabem de mim. Ficam com o "As Heaven Is Wide", que é o mais certeiro neste preciso momento. Não deixa de ser irónico que eu já tenha passado por este momento tantas vezes. Como dizia uma amiga minha: quanto mais conheço as pessoas, mais gosto dos meus gatos...

Nothing that you say will release you
Nothing that you pray would forgive you
Nothing's what your words mean to me
Something that you did will destroy me
Something that you said will stay with me
Long after you're dead and gone

If flesh could crawl
My skin would fall
From off my bones and run away from here

As far from God
As Heaven is wide
As far from God
As angels can fly

If holy is as holy does
This house will burn straight down to Hell
Take its conscience with it as it falls
Nothing said could change the fact
My trust was blind, you broke the pact
If God's my witness
God must be blind

If flesh could crawl
My skin would fall
From off my bones and run away from here

Take it back, I dare you, take it back
No you can't, you should have thought of that
What's inside a man that goes so wrong
Choke on guilt that's far too good for you
Say one word I'll laugh and bury you
And leave you in the place where you left me

I wish I could fly
As angels can fly




quinta-feira, 4 de junho de 2009

Vanitas


"Vanitas vanitatum omnia vanitas - Useless meaningless! Everything is meaningless!" -> Vanitas
Ecclesiastes 1:2 - The Bible (King James's Version)


Sabem o que é um Memento Mori? Não? Vão à Wikipedia ver. Vá, vão lá...


Pronto, agora já leram, já sabem.


Não se assustem já quando eu disser que tenho uma estranha fixação pela morte ultimamente. Não pelo acto de morrer, pelo momento em si ou o que se passa a seguir. Não pela personagem do Family Guy nem do "The Meaning of Life". É só um leve fascínio por ler coisas sobre a morte. Assim, descobri por acaso os Memento Mori.


"Tempus fugit"; "Comam e bebam porque amanhã morremos!"


Et in Arcadia ego. Até em Arcadia a bela da senhora Morte está... Não lhe podemos fugir, pois não?

Qual é então o propósito desde post? Não sei. Mas deixo-vos com uns quadros bonitos.




terça-feira, 2 de junho de 2009

Catatonia


Ás vezes sabe bem voltar a certos sítios, a certos estados de espírito, a certas pessoas, a certas bandas, a certas músicas. E como diz um meu colega blogueiro e HiFaiviano, "a música está sempre lá".


Há uma banda, álbum e vocalista em particular a que eu consigo regressar sempre: o primeiro álbum dos Garbage. Nunca desilude (porque nunca mudou, como é óbvio); nas letras (da autoria da vocalista Shirley Manson), na honestidade, talvez exageradamente expressa, dos sentimentos, na lealdade para com aqueles que não têm geralmente sítio onde se agarrar. Nos sons estranhos e disformes das guitarras, dissonâncias consonantes com letras dissonantes (é mais ou menos isso).


E há outra banda, talvez menos conhecida do público fora do Reino Unido. Catatonia, uma banda pop galesa. Não é fácil de gostar à primeira, apesar de ser pop (ou se calhar por isso mesmo). A voz da vocalista Cerys Matthews também arranha os ouvidos às vezes. E nem sempre as letras encaixam nas músicas.


Mas sabe bem voltar lá. Ouvir de novo aqueles detalhes que só as pessoas que já ouviram a música em "repeat" conseguem detectar. Ouvir novos detalhes que não tínhamos reparado à primeira (ou à segunda ou à 25ª) audição. Ouvir músicas que nunca ouvimos ou descobrir raridades de álbuns que não foram lançados ou em que ninguém reparou quando os lançaram.


Fica um excerto de uma música dos Catatonia, "Fuel", que eu redescobri hoje, com novos detalhes, com os detalhes de sempre; novos sentimentos, nova ideologia, nova maturidade, novas criancices, novos sonhos. E tudo cabe na mesma música... incrível (ou talvez não). Os amantes de música sabem o que eu quero dizer.


Go tell the captain
There's no waters left
To navigate
I sailed them all for you...
Go tell the engine room
Stop stoking up the fire
We're out of fuel...


Go ask the Government
You voted in on trust
Where is our fuel?...


Fools get votes in a democracy.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Time Traveler


I am a time traveler.


Time is a stationary concept that was invented by a scientific mind, inherent to the material world but incoherent and insufficient to the world of ideas.


Before comes before the after; past before present before future.


That’s wrong. Some people have a future in their past and see the future as a series of setbacks.


Time is a neatly pieced fabrication, like an authoritarian regime that survives by maintaining itself through a bundle of lies.


segunda-feira, 25 de maio de 2009

The Book of Sue - Chapter II


AVISO: seguem-se descrições violentas.


‘If I stand very still maybe the rest of the world will disappear…’ thought Private ‘Zero’ closing his eyes and gripping his rifle close to his chest as the buzzing sound of bombs descending amplified around him. His comrades screamed, warning him to take cover. But he froze. He stood there, bombshells falling only a very short distance away from him.


The problem was the sound; the whole sound of it. That was the worst part. Private ‘Zero’ got used to the sight of blood. After three years of countless severed body parts, heads exploding from cruelly accurate gunshots; carrying the weight of dead bodies in a profound sense of reverence and dignity… Dignity, in such a place! Private ‘Zero’ got accustomed to the blisters on the sole of his feet; he got accustomed to eat his meals over the spots of blood and dirt that covered his green uniform day in and day out. He even got catatonically accustomed to the loss of friends he had known for months and years.


But the sound… The terrible metallic sound of bullets hitting the helmets of helpless young soldiers like himself. The constant cries of grown men who suddenly saw their own hands, their own legs be blown up, shot at, severed and cut open. The screams, the pain… the scream of it all… The terrifying sound of men reloading their guns over and over again in fear that the next reload might be the last one, in fear that the painful seconds it takes to reload a gun will not be enough to regain strength to get up again and face enemy fire. And the constant blaze of enemy fire... the rhythmical yet out of pace sound of constant gunfire.


Private ‘Zero’ stopped because for a split second, he heard absolutely nothing. He saw his comrades speaking but he could not hear their words. The buzzing of the falling bombs that only a few seconds ago was amplified to a level where he could no longer listen to his own prayers inside his head; it all disappeared for one wickedly long second.


‘If I stand very still, if I learn to engulf and enjoy this peaceful silence that takes hold of my mind at this exact instance; maybe it will make it all go away. Maybe it will stop the killing and the hurting. It only takes one second of silence and then the world disappears.’


So, the last thought that 21-year-old Private ‘Zero’ saw running inside this head, moments after he looked down at his jacket and saw a soaking stream of blood running down from the left side of his chest was a sentence he had written in his diary on the first day of the campaign:


‘I guess you’d have to be on this side of the barricade to smell the stench of decay.’

sexta-feira, 22 de maio de 2009

O Manuscrito do Poeta Mórbido - Continuação


A Morte bateu-me à porta
e ficou-se por aquela esquina.
O vulto negro e brilhante
passou-se altivo e distante
e tentou arrancar-me à vida.


Não há porta que o segure
nem ferrolho que o afaste;
a aldraba não se cala
e a noite que não passa
não é tormento que lhe baste.


De manhã, pela janela,
o mundo olha-me lá de fora.
A rua por onde passa
quem já não espera por nada
e o vulto foi-se embora...


Mas o desejo vem de repente,
nas horas mortas do dia,
de abrir as portas de par em par,
deixar o Estranho entrar,
dar-lhe conversa e dormida...


Será talvez um pacto feito
com um estranho que nos avisa:
A cada um, a sua sorte;
cada qual com a sua morte.
Eu, com a minha, enquanto viva...


Fica o frio e a certeza
de que no escuro o vulto volta.
Misto de medo e letargia
e uma estranha nostalgia
de quando a Morte me bateu à porta.


O Poeta Mórbido


To be continued...


Porque devo alguma lealdade às 2,25 pessoas que lêem o meu blog, fica a explicação que O Manuscrito do Poeta Mórbido é uma pequena colecção de poemas que conta a história da Morte e depois da Vida do Poeta que é Mórbido. Primeiro poema está aqui.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

No Compassion


In a world
where people have problems
In this world
where decisions are a way of life
Other people's problems they overwhelm my mind
They say compassion is a virtue, but I don't have the time


So many people...have their problems
I'm not interested...in their problems
I guess I've...experienced some problems
But now I've...made some decisions
Takes a lot of time to push away the nonsense
Take my compassion...Push it as far as it goes
My interest level's dropping, my interest level is dropping
I've heard all I want to, I don't want to hear any more


What are you, in love with your problems?
I think you take it...a little too far
It's...not so cool to have so many problems
But don't expect me to explain your indecisions
Go...talk to your analyst, isn't that what they're paid for
You walk, you talk...You still function like you used to
It's not a question...Of your personality or style
Be a little more selfish, it might do you some good


"No Compassion" by the Talking Heads


Se todos nós pudessemos minimizar os nossos problemas, a vida seria um anúncio do Minipreço...

terça-feira, 19 de maio de 2009

O Manuscrito do Poeta Mórbido - Prólogo


Odeio os comboios que passam de noite à minha janela…
Odeio!
Lembram-me todas as oportunidades que deixei passar,
que correram e fugiram de mim,
sem que pudesse correr para as apanhar…
Lembram-me todas as carruagens que não percorri,
os livros que nunca li, nas horas de viagem
não decorridas...
E lembram-me que sou eu mesmo uma encomenda esquecida
numa qualquer estação secundária,
apeadeiro perdido de uma aldeia onde já nenhum comboio pára.

E, como sempre, fica esta profunda e cruel tristeza
(hetero-imposta)
que é maior do que eu.
Pequenino, pequenino…
que em mim não cabe o meu coração.


Aqui jaz o Poeta Mórbido; à terra volta o seu corpo frio.
Num cemitério de um vilarejo qualquer
por onde passa um comboio de vez em quando
para acordar os mortos do seu sono tranquilo…


To be continued...


segunda-feira, 11 de maio de 2009

We are no better than ourselves


The problem that is more serious, which arises at the time you are shaping yourself, when building your own identity, reacting to whatever the universe sets across your path; the real issue is not the matter of shaping to an outside world or other people’s expectations. This is not about shaping into whatever the rest of the world wants you to be. Because that is your own voluntary choice.


The real issue that is way beyond your ability to choose is in fact the shaping of yourself in accordance to what you believe yourself to be. For this is beyond any reasonable choice. It just happens when you least expect it. Kind of sneaks up on you, the sneaky bastard, you! Each one of us has this elemental, cruel, high-standing moral that forces us to be ourselves in pretty much all the situations we must face in life. So you have to live with the consequences of being yourself all the time, either your actions are good or bad, either they affect you or they end up affecting others.


Do you consider yourself to be a good person? Then you shall be one in everything you do. Do you think that in the same circumstance someone else would have been evil? That is not your moral problem. If you had been evil, things would have turned to your advantage? That is not something you can even begin to imagine because you simply would not do it, no matter how many times it tempted you.


On the other hand; do you think you are a rotten apple? Then you are capable of nothing but terrible things, even if some of them have positive collateral effects that were completely unexpected to you.


That is not even important, though. There are good people, bad people and so-so people everywhere in this absurd world. But you can be sure of one thing and one thing only: whatever you do, you can not be better than yourself. That is all you will ever be.

domingo, 10 de maio de 2009

If I had my way


"Delilah she climbed up on Samson's knee,
Said 'Tell me where your strenght lies if you please'
She spoke so kind and she talked so fair,
Well, Samson said "Delilah, cut off my hair;
you can shave my head, clean as my hand,
and my strenght will become as natural as any old man.'


If I had my way
If I had my way
If I had my way
I'd burn this building down"


Excerto de "Samson and Delilah" by Shirley Manson

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Se eu pudesse dizer só uma coisa...


seria qualquer coisa como isto:



Home is where I want to be
Pick me up and turn me round
I feel numb - born with a weak heart
I guess I must be having fun
The less we say about it the better
Make it up as we go along
Feet on the ground
Head in the sky
It's ok I know nothing's wrong . . nothing


I got plenty of time
you got light in your eyes
And you're standing here beside me
I love the passing of time
Never for money
Always for love
Cover up and say goodnight . . . say goodnight


Home - is where I want to be
But I guess I'm already there
I come home - she lifted up her wings
Guess that this must be the place
I can't tell one from another
Did I find you, or you find me?
There was a time Before we were born
If someone asks, this is where I'll be . . . where I'll be


We drift in and out
sing into my mouth
Out of all those kinds of people
You got a face with a view
I'm just an animal looking for a home
Share the same space for a minute or two
And you love me till my heart stops
Love me till I'm dead
Eyes that light up, eyes look through you
Cover up the blank spots
Hit me on the head


In an alternate universe I am touring with the Talking Heads...

terça-feira, 5 de maio de 2009

The Light


Nothing good could get through
hard bricked layer upon layer
(not a sword and not a slayer)
of the thick coat of arms
that is mankind and its charms.


So the shine still remains,
a harsh reminder of the light of days.


There is a sleep in slumber which is deep in pains,
there is an exit and a wound
that is closest to the womb.
May we ever wake and see:
the light hits where we should be.


segunda-feira, 4 de maio de 2009

A Fuga


Ser livre é não deixar ninguém para trás. É saber que podemos, de um momento para o outro, fazer as malas e mudar de cidade, de país ou até de planeta sabendo que não existe ninguém que nos prenda no sítio onde estamos. Saber que não deixamos saudades. Saber que não deixamos para trás quem se preocupe connosco quando decidirmos, no auge da nossa ânsia pela liberdade e pela libertação, fugir e deixar este mundo para trás.


Não confundir com egoísmo. Egoísmo é deixar pessoas para trás para ir à procura de algo melhor para nós mesmos. Liberdade não é egoísmo porque quem é livre não deixa ninguém para trás. Quem é livre não deixa para trás pessoas que não serão as mesmas depois do outro partir. Ser livre é partir. Partir é não deixar ninguém para trás.


O problema todo reside no facto de não sabermos ao certo se queremos ser livres. Por um lado, queremos a liberdade de poder partir sem deixar ninguém, sem nos preocuparmos com os laços que se quebram, levando connosco apenas memórias e desejando que ninguém se lembre de nós. Por outro lado, passam-se dias e dias em que desejamos não ser invisíveis, em que desejamos não estar sozinhos e em que desejamos ter alguém à nossa espera. O problema todo reside no facto de não conseguirmos conciliar a solidão com a liberdade. Só quem é só pode ser completamente livre.


Olha lá! Que raio te passou pela cabeça para achares que podes falar no plural?!


A Fuga em Memória Fotográfica

sábado, 2 de maio de 2009

Invictus


Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.


In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbow'd.


Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds, and shall find, me unafraid.


It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.


William Ernest Henley


When they're finished with you, you won't even recognize yourself. Which one of us can say they never sold their soul?


terça-feira, 28 de abril de 2009

Qualquer dia...


Qualquer dia vou para o raio que me parta!


Mas é que vou mesmo! Nem adianta tentarem impedir-me! Qualquer dia agarro em mim mesma, meto uma mochila às costas e lá vou eu, direitinha ao raio que me parta!


E agora perguntam vocês, então mas onde raio é o que raio que te parta? E é um sítio assim tão bom? E tem raios que nos partam a todos?


Olhem, não sei. Não sei onde fica, não sei se posso levar convidados, mas raios me partam se um dia eu não vou para o raio que me parta! Porra, o raio que me parta há-de ser melhor do que isto, que isto assim como está, não é vida para ninguém!


Está decidido! Qualquer dia pego em mim e só paro no raio que me parta! Quem me faz companhia? Estou a aceitar inscrições para a minha viagem para o raio que me parta. A minha Xana já disse que vinha, já somo duas para ir para o raio que nos parta. Mais alguém quer vir? Vejam lá, não vão perder a oportunidade de ir para o raio que os parta...


Esta merda destes dias cheios de coisa nenhuma...

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Unself


Whoever I was before
I’m not the same,
not anymore.
Not the same person
Not even the same face.
There is not one single trace
That remains here as it was before.


I don’t really know what happened
But whoever I was, know I’m gone.
I don’t think it’s for the better
I just hope that it is more
Than whatever it was
That ever I was before.


I never knew me,
no one knew me
(they wouldn’t bother;
It’s easy and carefree
Not to bother)


I think
I would’ve liked me…
But someone shaped me
And carelessly outpaced me
Into this strangest vision
Unworthy commission
Of a someone
That doesn’t
Exist.


All that is left of me is the intentional form of this poem. And no one worthy will bother.