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quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Judgment Day

Outro dia estava a ver um programa na televisão em que um ecologista dizia que “as pessoas devem tomar atenção ás alterações climáticas visto que estas podem pôr em causa a própria sobrevivência da raça humana”, parafraseando. O que este ecologista, e muitas outras pessoas não compreendem, é que os humanos são, na verdade, a raça mais perigosa deste planeta e se as alterações climáticas (causadas pelos humanos devido a longos séculos de exploração dos recursos, do meio ambiente e, mais recentemente, da tão falada poluição), se elas forem realmente capazes de destruir a raça humana, então parece-me que estamos a falar de pura e justificada vingança. A Terra tem todo os direito de protestar, de expelir lava dos seus vulcões, de causar terramotos, maremotos, tempestades, excesso de calor, excesso de frio e tudo o mais, dizimando aldeias, cidades, países e civilizações inteiras. Além do mais, já muitos acreditam que o homem, como ser naturalmente violento, egoísta e irracional (sim, irracional!) que é, está destinado a destruir-se a si próprio. Seria apenas justo, e irónico também, que ao menos a Natureza, que nós tanto ajudámos a destruir, tivesse alguma coisa a dizer quando chegar o dia da nossa extinção. E perguntam vocês: “Então e tu? Não és humana? Se a humanidade for extinta, tu também morres”. É verdade. Devo apenas rectificar que a minha vergonha pelo facto de pertencer a tal espécie, que já tantas vezes me renegou por ser ligeiramente diferente e que não hesita em chamar-me aberração tantas vezes, é maior do que o meu medo da extinção. E confesso que o único mal que vejo na extinção da humanidade é o facto de a arte em geral, e a música em particular (as melhores, senão as únicas boas invenções desta maldita espécie que somos) desaparecerem e não haver ninguém para as apreciar.

Uma amiga minha, que partilha esta minha vergonha pela raça no seio da qual fomos obrigadas a nascer, diz-me muitas vezes que está à espera que a nave a venha buscar, porque não vê qualquer razão para pertencer a uma espécie tão absurda e prefere considerar-se uma extra-terrestre, uma “ousider”, a ter que se juntar aos seus “semelhantes”. Eu gosto de pensar que, se esses aliens existem, nós devemos ser a sua TV. Pensem que todas as ondas rádio e de TV, todas as comunicações por satélite, este post e este blog até, estão neste momento a ser transmitidos para o espaço. E portanto algum alien estará neste momento a ver talvez a 2ª Guerra Mundial (temos de considerar os anos que as ondas levam a percorrer o vazio do espaço), com um balde de pipocas (ou o seu equivalente em “comida cinematográfica” alien) e que se diverte bastante com o ridículo que nós somos, a destruirmo-nos a nós mesmos e a destruirmos outras espécies “inferiores” a nós (termo comparativo entre aspas e aberto a discussão, como é óbvio).

A humanidade está, definitivamente e na minha opinião, para além de qualquer salvação. Não adianta haver ecologia, vegetarianos, políticos ao longo de séculos a inventarem dezenas de variações para o mesmo regime corrupto e falível; a raça é humana é deplorável. E também não há esperança para a Terra (e para o resto do Universo, se considerarmos a recente corrida ao espaço) a não ser que os humanos desapareçam. E eu mal posso esperar por esse dia.

Lista de animais extintos antes e durante o século XX: